Thursday, December 9, 2010

Traiçoeiramente amigas

Será que ninguém nunca parou pra pensar nem um pouquinho? Será que ninguém percebeu o que a nossa própria língua está a fazer conosco? Sinceramente, creio que como é a forma de comunicação mais antiga, útil e até única, nós, os seres humanos, achamos que o dominamos. Falamos de boca cheia o que queremos, o que somos, o que temos e tudo isso sem perceber que pode sair como um tiro pela culatra (no bom sentido, lógico). Em frases, uma simples vírgula muda tudo, torna o sentido ao contrário, mas a ambiguidade não é a única culpada, ou melhor, vítima. Nós mentimos, ocultamos, praticamos, teimamos, xingamos, falamos bem e falamos mal e para tudo nós utilizamos esse monstro que criamos e se tornou contra nós, até agora, enquanto escrevo, tento dominar essa fera tempestuosa. Utilizamos as pausas, vírgulas, pontos, acentuações e todos os outros auxílios linguísticos para tentar fazer o melhor uso da língua. E não é apenas um problema brasileiro ou lusófono, todas as civilizações, quer falem inglês, russo, alemão, catalão ou hindu sofrem desse mesmo mal que no entanto, é o caminho de escape. Considero comparável aos monstros dos filmes que após serem criados pelos cientistas loucos se iram contra seu criador e tentam da melhor maneira possível destruí-los. Sim, a humanidade faz o papel do cientista maluco e o nosso monstro criado é justamente a linguagem, que, no entanto, necessitamos para sobreviver e sem a qual certamente não seria possível a convivência, e, por isso, não é considerável a hipótese de simplesmente descartá-la. E como qualquer animal, o nosso monstro foge da simples ideia de ser domada e aproveita todas as oportunidades possíveis para nos derrubar. Acho que já falei demais, se tiverem qualquer dúvida, escreva uma frase, corrija sua frase, reescreva sua frase com outras palavras, adicione vírgulas e pontos e tente pacientemente manter o sentido e verá como a língua tem vontade própria.
Quisera eu falar com a autoridade e poder que as palavras possuem.

No comments:

Post a Comment