Friday, March 18, 2011

Indesejo

Não estranho esse cheiro,
É de muito tempo atrás,
Não incomoda o barbeiro,
Pois é ele que jaz.

A luz pérfida que semeia
A rosa cálida da escuridão,
Se mantém já cheia
Da lua na solidão.

Na cidade não ha quem viesse,
Ver o barbeiro ou a rosa,
E enquanto um apodrece
A outra continua chorosa.

E cena mais triste não há
De quem nunca viu
A rosa a chorar
E a solidão senil.

E o tempo todo está lá,
O barbeiro acabado
Sem ninguém perturbar
O seu sonho sagrado.

Mas o cheiro já se vai
O venta o carrega,
E a rosa que não sai
Continua sempre cega.

Tuesday, March 1, 2011

Alphonsus de Guimaraens

Segue-se um poema de Alphonsus de Guimaraens. Eu primeiro vi esse poema no metrô, estava na parede da estação Paraíso, se não me engano. Alphonsus de Guimaraens nasceu em Ouro Preto, MG, em 24 de Julho de 1870. Acabou estudando direito em São Paulo e mais tarde em Ouro Preto. Em 1895 conheceu e ficou amigo de Cruz e Souza, trabalhou como juiz substituto e promotor. Estreiou na literatura em 1889 com forte inspiração simbolista. Seus poemas são místicos e exploram o sentido do amor impossível, da morte, da solidão e da inaptação ao mundo.

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


Referências: Wikipedia e releituras.com