Friday, March 18, 2011
Indesejo
É de muito tempo atrás,
Não incomoda o barbeiro,
Pois é ele que jaz.
A luz pérfida que semeia
A rosa cálida da escuridão,
Se mantém já cheia
Da lua na solidão.
Na cidade não ha quem viesse,
Ver o barbeiro ou a rosa,
E enquanto um apodrece
A outra continua chorosa.
E cena mais triste não há
De quem nunca viu
A rosa a chorar
E a solidão senil.
E o tempo todo está lá,
O barbeiro acabado
Sem ninguém perturbar
O seu sonho sagrado.
Mas o cheiro já se vai
O venta o carrega,
E a rosa que não sai
Continua sempre cega.
Tuesday, March 1, 2011
Alphonsus de Guimaraens
Ismália
Referências: Wikipedia e releituras.com
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...