Tuesday, December 14, 2010

Sussurros do Passado-parte 4

Já era o quinto dia de chuva direto. Parecia que o anjo que cuidava de abrir e fechar a passagem de água entrara em greve, não que eu o repreenda, ele também tem seus direitos. Mas a lamaceira que aquela torrente de água causava tornava tudo tão imundo. Mas parecia ser algo normal, as pessoas da cidade reagiam normalmente àquele acontecimento. Ele ainda não entendia nada que aquelas pessoas falavam, mas pela maneira que eles agiram com a chegada da tempestade ele pudera supor que era rotineiro. Desde que ele chegara, conseguira encontrar uma pousada, as pessoas eram muito gentis, portanto permitiram a estadia dele gratuitamente contanto que ajudasse um pouco. Mas ele notara que as pessoas eram diferentes, não fisicamente nem fisiológicamente, mas eles não tinham o brilho que o seu povo tivera, como se algo dentro deles estivesse apagado, porém ele encontrara algumas pessoas com esse brilho, avistara por melhor dizer, não conseguia imaginar o que poderia ser que tornava aquelas pessoas diferentes. O sol agora teimava em brilhar, mesmo com a chuva ele conseguiu aparecer, tornando o ambiente muito mais iluminado e bonito, ao longe avisatava-se um arco-íris, e ele lembrou da sua irmã, mas não chorou, não conseguia chorar desde que a deixara apodrecendo debaixo da terra. Lembrou que sua irmã dançava e botava-se a cantar e rir quando aparecia aquele fenômeno multicolorido, lembrou também que sua irmã podia fazer um arco-íris quando e onde queria, não precisava da chuva, apenas seu sorriso.
Retornava sua antenção à moça que falava com ele, compreendendo apenas algumas palavras ele disse a ela que precisava ir ao mercado para o José, o dono da pousada que permitira sua presença. Com auxílio de gesticulações, ela conseguiu explicar para ele que o mercado ficava na terceira esquerda daquela rua, agredecendo ele seguiu em frente. Porém antes de conseguir chegar à terceira esquerda, alguém o chamou, ele se assustou, não porque lhe chamaram, mas porque falavam em sua língua.
-Ei você!- ele ouviu. Apenas olhou em volta, procurando a pessoa que dissera aquilo.
-Aqui, atrás de você!- E ele olhou, uma menina, não, moça, talvez a mesma idade que ele.
-Qu...quem é você?- Ele perguntou, estranhando a situação.
-Meu nome é Maria, você é de Porgino?- Ela perguntou, com um ar místico. Ele assustou, ninguém conhecia sua cidade, como que essa menina sabia o nome de sua cidade. Ele lembrou que já havia visto a menina, era aquela que tinha a luz acesa, por assim dizer.
-Sou, como você conhece minha cidade e minha língua?
-Não sou a única, uma das únicas por aqui, mas há muitos outros também que sabem. Ouvimos dizer que sua cidade fora devastada com a guerra.
-Como você sabe da guerra? E quem são esses outros?
-Sei da guerra, porque eu sou como você, e perdi meu irmão nessa guerra, por isso vim morar aqui, fugindo da guerra que destruiu minha vida.
-Como assim você é como eu? Não entendi. Mas sinto muito pelo seu irmão.
-Ah, acho que você ainda não sabe... como posso dizer isso? Você é um bruxo.

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