Já era o quinto dia de chuva direto. Parecia que o anjo que cuidava de abrir e fechar a passagem de água entrara em greve, não que eu o repreenda, ele também tem seus direitos. Mas a lamaceira que aquela torrente de água causava tornava tudo tão imundo. Mas parecia ser algo normal, as pessoas da cidade reagiam normalmente àquele acontecimento. Ele ainda não entendia nada que aquelas pessoas falavam, mas pela maneira que eles agiram com a chegada da tempestade ele pudera supor que era rotineiro. Desde que ele chegara, conseguira encontrar uma pousada, as pessoas eram muito gentis, portanto permitiram a estadia dele gratuitamente contanto que ajudasse um pouco. Mas ele notara que as pessoas eram diferentes, não fisicamente nem fisiológicamente, mas eles não tinham o brilho que o seu povo tivera, como se algo dentro deles estivesse apagado, porém ele encontrara algumas pessoas com esse brilho, avistara por melhor dizer, não conseguia imaginar o que poderia ser que tornava aquelas pessoas diferentes. O sol agora teimava em brilhar, mesmo com a chuva ele conseguiu aparecer, tornando o ambiente muito mais iluminado e bonito, ao longe avisatava-se um arco-íris, e ele lembrou da sua irmã, mas não chorou, não conseguia chorar desde que a deixara apodrecendo debaixo da terra. Lembrou que sua irmã dançava e botava-se a cantar e rir quando aparecia aquele fenômeno multicolorido, lembrou também que sua irmã podia fazer um arco-íris quando e onde queria, não precisava da chuva, apenas seu sorriso.
Retornava sua antenção à moça que falava com ele, compreendendo apenas algumas palavras ele disse a ela que precisava ir ao mercado para o José, o dono da pousada que permitira sua presença. Com auxílio de gesticulações, ela conseguiu explicar para ele que o mercado ficava na terceira esquerda daquela rua, agredecendo ele seguiu em frente. Porém antes de conseguir chegar à terceira esquerda, alguém o chamou, ele se assustou, não porque lhe chamaram, mas porque falavam em sua língua.
-Ei você!- ele ouviu. Apenas olhou em volta, procurando a pessoa que dissera aquilo.
-Aqui, atrás de você!- E ele olhou, uma menina, não, moça, talvez a mesma idade que ele.
-Qu...quem é você?- Ele perguntou, estranhando a situação.
-Meu nome é Maria, você é de Porgino?- Ela perguntou, com um ar místico. Ele assustou, ninguém conhecia sua cidade, como que essa menina sabia o nome de sua cidade. Ele lembrou que já havia visto a menina, era aquela que tinha a luz acesa, por assim dizer.
-Sou, como você conhece minha cidade e minha língua?
-Não sou a única, uma das únicas por aqui, mas há muitos outros também que sabem. Ouvimos dizer que sua cidade fora devastada com a guerra.
-Como você sabe da guerra? E quem são esses outros?
-Sei da guerra, porque eu sou como você, e perdi meu irmão nessa guerra, por isso vim morar aqui, fugindo da guerra que destruiu minha vida.
-Como assim você é como eu? Não entendi. Mas sinto muito pelo seu irmão.
-Ah, acho que você ainda não sabe... como posso dizer isso? Você é um bruxo.
Tuesday, December 14, 2010
Thursday, December 9, 2010
Traiçoeiramente amigas
Será que ninguém nunca parou pra pensar nem um pouquinho? Será que ninguém percebeu o que a nossa própria língua está a fazer conosco? Sinceramente, creio que como é a forma de comunicação mais antiga, útil e até única, nós, os seres humanos, achamos que o dominamos. Falamos de boca cheia o que queremos, o que somos, o que temos e tudo isso sem perceber que pode sair como um tiro pela culatra (no bom sentido, lógico). Em frases, uma simples vírgula muda tudo, torna o sentido ao contrário, mas a ambiguidade não é a única culpada, ou melhor, vítima. Nós mentimos, ocultamos, praticamos, teimamos, xingamos, falamos bem e falamos mal e para tudo nós utilizamos esse monstro que criamos e se tornou contra nós, até agora, enquanto escrevo, tento dominar essa fera tempestuosa. Utilizamos as pausas, vírgulas, pontos, acentuações e todos os outros auxílios linguísticos para tentar fazer o melhor uso da língua. E não é apenas um problema brasileiro ou lusófono, todas as civilizações, quer falem inglês, russo, alemão, catalão ou hindu sofrem desse mesmo mal que no entanto, é o caminho de escape. Considero comparável aos monstros dos filmes que após serem criados pelos cientistas loucos se iram contra seu criador e tentam da melhor maneira possível destruí-los. Sim, a humanidade faz o papel do cientista maluco e o nosso monstro criado é justamente a linguagem, que, no entanto, necessitamos para sobreviver e sem a qual certamente não seria possível a convivência, e, por isso, não é considerável a hipótese de simplesmente descartá-la. E como qualquer animal, o nosso monstro foge da simples ideia de ser domada e aproveita todas as oportunidades possíveis para nos derrubar. Acho que já falei demais, se tiverem qualquer dúvida, escreva uma frase, corrija sua frase, reescreva sua frase com outras palavras, adicione vírgulas e pontos e tente pacientemente manter o sentido e verá como a língua tem vontade própria.
Quisera eu falar com a autoridade e poder que as palavras possuem.
Quisera eu falar com a autoridade e poder que as palavras possuem.
Saturday, December 4, 2010
Sorrisos e lagrimas do intimo
E todos viveram felizes para sempre.
Como eu queria que essas palavras surtissem o devido efeito. Como se nao bastasse o fato de para sempre sempre acabar, este foi o final feliz mais miseravel de minha vida inteira. Sei que vivi por muito pouco tempo, principalmente se comparado aos grandes escritores e filosofos, mas as experiencias que tive me fazem sentir preparado para receber a morte. Nao estou dizendo que quero morrer, simplesmente que me sinto preparado para tal.
Minha vida inteira convivi com pessoas, suportei pessoas, amei pessoas. Mas sempre, sempre obedeci ao sistema. Que sistema eh esse voce pergunta? Eu te digo, o sistema da vida, escola, convivencia social... Tudo a que estamos subconcientemente programados a seguir. As pessoas que nao obedecem ao sistema sao taxadas como criminosos, loucos, perigosos, delinquentes, perversos, ignorantes, estupidos, alegres, bobos etc... Nao sei a razao pela qual obedeci a isso, acho que foi simplesmente porque todos o faziam. Nao estou dizendo que ninguem deva ou nao obedecer a isso, cada um escolhe por si proprio, o que estou querendo dizer eh que por causa disso fui muito feliz de uma maneira infeliz.
Agora que minha vida mudou, avancei uma fase por assim dizer, gostaria de voltar atras, dizer tudo que nao disse, fazer tudo que nao fiz, imaginar tudo que deixei de imaginar tudo pela minha limitacao. As memorias que acumulamos partem do simples pressuposto de que escolhemos nossas acoes. Tudo que vivi durante minha vida, lembro com um sorriso no rosto e lagrimas nos olhos, queria que esses momentos durassem para sempre, queria que pudessemos escolher para onde desejamos ir sabendo de antemao o que nos iria acontecer.
Ao escrever isto, lembro de muitas pessoas, umas intimas, outras que eu queria que fossem, umas que provocavam muita risada, e outras que traziam somente a dor. Mas lembrar disso me faz sofrer ainda mais, como se falta um pedaco do meu coracao. Pra falar a verdade, ja ate me esqueci da razao de eu estar escrevendo, mas sei que esse desabafo me faz sentir melhor. Gosto muito de todas as pessoas, ate aquelas que me fizeram mal, principalmente daquelas que me fizeram mal pois como dizem "tudo que nao me mata me fortalece". Assim me despeco, nao sei por quanto tempo, mas sempre com um sorriso nos labios e uma lagrima no coracao.
Como eu queria que essas palavras surtissem o devido efeito. Como se nao bastasse o fato de para sempre sempre acabar, este foi o final feliz mais miseravel de minha vida inteira. Sei que vivi por muito pouco tempo, principalmente se comparado aos grandes escritores e filosofos, mas as experiencias que tive me fazem sentir preparado para receber a morte. Nao estou dizendo que quero morrer, simplesmente que me sinto preparado para tal.
Minha vida inteira convivi com pessoas, suportei pessoas, amei pessoas. Mas sempre, sempre obedeci ao sistema. Que sistema eh esse voce pergunta? Eu te digo, o sistema da vida, escola, convivencia social... Tudo a que estamos subconcientemente programados a seguir. As pessoas que nao obedecem ao sistema sao taxadas como criminosos, loucos, perigosos, delinquentes, perversos, ignorantes, estupidos, alegres, bobos etc... Nao sei a razao pela qual obedeci a isso, acho que foi simplesmente porque todos o faziam. Nao estou dizendo que ninguem deva ou nao obedecer a isso, cada um escolhe por si proprio, o que estou querendo dizer eh que por causa disso fui muito feliz de uma maneira infeliz.
Agora que minha vida mudou, avancei uma fase por assim dizer, gostaria de voltar atras, dizer tudo que nao disse, fazer tudo que nao fiz, imaginar tudo que deixei de imaginar tudo pela minha limitacao. As memorias que acumulamos partem do simples pressuposto de que escolhemos nossas acoes. Tudo que vivi durante minha vida, lembro com um sorriso no rosto e lagrimas nos olhos, queria que esses momentos durassem para sempre, queria que pudessemos escolher para onde desejamos ir sabendo de antemao o que nos iria acontecer.
Ao escrever isto, lembro de muitas pessoas, umas intimas, outras que eu queria que fossem, umas que provocavam muita risada, e outras que traziam somente a dor. Mas lembrar disso me faz sofrer ainda mais, como se falta um pedaco do meu coracao. Pra falar a verdade, ja ate me esqueci da razao de eu estar escrevendo, mas sei que esse desabafo me faz sentir melhor. Gosto muito de todas as pessoas, ate aquelas que me fizeram mal, principalmente daquelas que me fizeram mal pois como dizem "tudo que nao me mata me fortalece". Assim me despeco, nao sei por quanto tempo, mas sempre com um sorriso nos labios e uma lagrima no coracao.
Thursday, December 2, 2010
Passado Perfeito
Não, não posso dizer que lembrarei de tudo
Ninguém o pode dizer, pois esquecer é humano
Todos irão esquecer os momentos mudos
Querer lembrar de tudo é completamente insano
O que levarei comigo no entanto
Serão os sentimentos adquiridos
Dos amigos, amados e queridos
E do que fizemos, o encanto
Não, ninguém pode me forcar
A dizer adeus, boa sorte, tudo de bom
Sem antes me falar, avisar
Do futuro imprevísivel em bom tom
Te digo porem, que não foi em vão
As nossas insuportavelmente intermináveis manhãs
Não me importa se aprendemos ou não
Mas, a saudade do que foi, corroem-me as entranhas
Saudades não, esta palavra é traiçoeira
Pois saudades passam, como simples magia
O que ficará, por escolha ou por bobeira
É a desumana e maldita nostalgia
Ninguém o pode dizer, pois esquecer é humano
Todos irão esquecer os momentos mudos
Querer lembrar de tudo é completamente insano
O que levarei comigo no entanto
Serão os sentimentos adquiridos
Dos amigos, amados e queridos
E do que fizemos, o encanto
Não, ninguém pode me forcar
A dizer adeus, boa sorte, tudo de bom
Sem antes me falar, avisar
Do futuro imprevísivel em bom tom
Te digo porem, que não foi em vão
As nossas insuportavelmente intermináveis manhãs
Não me importa se aprendemos ou não
Mas, a saudade do que foi, corroem-me as entranhas
Saudades não, esta palavra é traiçoeira
Pois saudades passam, como simples magia
O que ficará, por escolha ou por bobeira
É a desumana e maldita nostalgia
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