Wednesday, October 27, 2010

Lembre-te de mim 2

Nunca ela havia se sentido assim por qualquer um antes, o pior era que ela ja o conhecera a muito tempo e nunca havia sentido nada por ele. O que de fato aconteceu foi, um dia ela olhou pra ele e notou sua beleza escondida, quase oculta, nunca notara isso antes, nao que ele fosse feio porem sim mediano por assim dizer. Notou agora seus cabelos cuidadosamente penteados, seus olhos brilhantes que consumiam tudo que olhavam e sua voz que ericava de dentro de si uma vontade incontrolavel de seguir seu coracao. Ela sentia seu coracao batendo mais forte agora e pela primeira vez entendeu realmente o que significava ficar apaixonada a primeira vista. Nao sabia nem seu nome mas sentia dentro de si que foram feitos um pelo outro, sabia que seus labios encaixariam perfeitamente nos dele e tinha certeza que ele tambem sabia disso. Ela sabia que nao precisava de mais nada para ser feliz.
Aproximou-se dele, nao havia planejado nada, sentou ao seu lado, o que falaria?
Oi, disse ela timidamente.
Oi, ele respondeu um tanto desconfiado. Ela se conteve pois sentiu vontade de voar pelos ares simplesmente por ouvir sua voz.
Houve silencio, ela nao sabia o que dizer e muito menos ele. Ambos ficaram vermelhos e ela rapidamente disse um tchau antes de corar mais ainda e virou e foi embora.

Monday, October 25, 2010

Lembre-te de mim

Avistei-a de longe, nao tinha como nao a ver, ela estava de blusa amarela, ainda debaixo do sol de Sao Paulo ao meio-dia, o que fazia a cor ressaltar ainda mais. A primeira coisa que notei foi o seu rosto, obviamente sem maquiagem mas que irradiava alegria. Deu-me vontade de conhece-la imediatamente, mas ela estava muito a minha frente, nao haveria como alcanca-la mesmo que eu criasse a coragem. Repentinamente ela virou como se lembrasse de algo que havia escondido, notei que estava so pois ninguem parou para espera-la. Ela me olhou nos olhos com um olhar penetrador que so as mulheres tem, senti-me corar imediatamente como se todos os meus segredos e desejos mais intimos fossem expostos em uma vitrine para ela observar segundo seu desejo. Nao havia mais ninguem naquele corredor lotado, nao havia outras pessoas para interromper nossos olhares cruzados.
O leitor agora deve imaginar o que poderia ter acontecido, porem lamento em informar-lhe que nao aconteceu nada. Talvez pela minha timidez exacerbada, talvez por ter sido simples imaginacao minha numa tarde quente. Mas digo-lhes sinceramente que lembrarei desse dia para o resto de minha existencia e o que poderia ter acontecido ficara no futuro preterito da minha lembranca, e quem sabe da dela tambem pois quando as coisas acontecem, sempre ha um proposito, se nao houvesse nao aconteceria. Mas continua, dentro de mim, a ansiedade consumidora me dizendo que um dia, bela estranha, um dia seras meu e eu serei teu e nada mais nos faltara.

Momento poesia, novamente nao ha acentos portanto leem como se houvessem! =)

Friday, October 15, 2010

Sussurros do Passado-parte 2

Anaa! Sua voz ecoou pelas ruas desertas daquela cidadezinha desolada. Ana, cadê você?! Ele sentia-se rouco mas não podia parar de procurar, já havia começado a nevar e ela certamente adoeceria. De repente parou, havia avistado algo a certa distância numa rua esquecida pela guerra, estava tudo branco, então aproximou-se. Ao ver o que era, correu em sua direção.
Ana, Ana te encontrei! Mas não havia resposta. Ele compreendeu de imediato, não poderia fazer nada, olhou seu corpinho perfeito congelando, ela havia deitado numa posição como de que dissesse que estava tudo bem. Sua boca estava entreaberta como se estivesse conversando com alguém, no seu rosto um olhar de paz e calma e o seu caderninho apoiado em seu peito. Pedro não acreditava, a culpa era toda dele, não deveria ter deixado sua irmazinha correr daquele jeito, ele era o irmão mais velho e deveria ter protegido ela. Agora ele estava só, não sabia o que fazer, não havia para onde ir, não tinha ninguém, a última pessoa em quem ele confiara jazia morta a sua frente.
Levantou decidido, pelo menos a enterraria, junto aos seu pais. Abaixou e levantou o corpinho frágil daquela que o havia acompanhado há cinco anos, seu corpo, ainda morno, cedeu a sua vontade. Ao levantá-la, pensou ter visto seus olhos abrindo, não, imaginara-o. Seu caderninho escorregou suavemente de sua mão, o menino apanhou isso também e seguiu em direção a onde sabia ser o cemitério. Chegando lá, se dirigiu ao túmulo de seus pais, deitou-a gentilmente do lado e com uma pá encontrado ali perto, iniciou a escavação. A terra dura cheirava a lembranças esquecidas e cada vez que introduzia a pá na terra, cortava, dentro de seu coração, os fios de esperança que sobraram. Não demorou muito para ele chegar a uma profundidade razoável. Buscou o corpo de seu irmã, agora um casca vazia, e deitou-a no fundo, na mesma posição em que a encontrou na rua, beijou sua face pela última vez e sentiu o cheiro de baunilha de seus cabelos. Ele permitiu que uma lágrima escorresse de seus olhos e caísse no nariz branco da garota e lentamente começou a encher a cova com a terra dura, tentando não olhar para o rosta da menina. Ao final, notou que o caderninho da garota continuava em seu bolso, uma memória viva do que havia acontecido. Olhou para o céu e sentiu vontade de chorar, porém uma imagem não o permitiu, ele viu sua irmã brincando com os flocos e rindo, ela se aproximou dele e o abraçou, uma calor encheu seu peito. Ele entendeu de imediato, sua irmazinha continuava viva dentro dele. Sem remorso ele se virou e saiu do cemitério a procura de abrigo.
Ninguém portanto viu aquele ser fantástico sair de trás de algumas árvores e escrever na lápide dos pais da menina recém-enterrada, com um giro de sua mão: "Ana Cavalcanti, filha, irmã e companheira." Após feito isso se virou e se foi embora, mas não sem antes olhar e dar um sorriso para a imagem da menina que agora se virava e subia para encontrar seus pais.

Sunday, October 10, 2010

Sussurros do Passado-parte 1

Não, falou para si mesma, não devo olhar. Mas mesmo assim ela olhou, e se arrependeu de ter olhado antes mesmo de ter virado o rosto para trás. Agora já era tarde demais, como um pêndalo que não pode voltar sem ter ido os seus olhos fitaram aquela cena horrorosa por pouco mais que alguns segundos, mas a imagem ficara gravado para sempre em sua mente.
Não podia ser verdade, aquele lugar que ela chegara a amar tanto, destruido com um simples comando. Como os homens são ruins, está na natureza deles, nada podem fazer contra esse ímpeto de praticar o mal, ou será que podem? Ela desejava mais que tudo em sua vida inteira não ter de pensar nisso, mas não havia mais em que pensar. Então ela sentou e fechou os olhos. Abriu os olhos logo em seguida, a imagem a assombrando. Começara a nevar, não deveria haver neve nessa época do ano, ou deveria, ela não saberia dizer nem em que mês estavam.
Ela deitou na rua deserta e deixou os flocos brancos como algodão tingirem seus cabelos e sua roupa de branco. Não havia mais o que fazer, não havia quem a guiasse. Ela fechou os olhos sem ao menos saber que seria pela última vez. Aqui ninguém vai me achar, não é? Ela perguntou para o seu livro, que guardava no bolso esquerdo e que tirara para sentir.
De repente ela ouviu seu pai lhe chamar: Ana! Ana, eu e sua mãe estamos te esperando! Vamos logo Ana!
E longe daquele lugar, ninguém viu a Ana levantar suavemente do chão e seguir a voz de seu pai até chegar naquele corpo étereo para o qual todos nós um dia iremos, deixando para trás os seus medos e seus sonhos.

Tuesday, October 5, 2010

Infancia Irretardavel

Lembro-me muito bem dos dias de verao na epoca em que eu tinha meus oito anos. Todo dia acordavamos bem cedo para sentir aquele fresco aroma do ar das montanhas. Apos uma leve caminhada, as vezes com minha familia, outras com amigos, entravamos em casa para comer panquecas mornas com bastante maple. Todo dia nossa mae nos mandava arrumar o quarto, a cama e os brinquedos mas nunca o fizemos. Esperavamos dar onze horas que era quando podiamos chamar os amigos. Brincavamos sempre no parque da escola ao lado de mina casa, apenas paravamos por volta das tres horas da tarde para almocar. Apos a refeicao, pegavamos nossas bicicletas e passeavamos pela cidade, sempre parando num pasto para alimentar os cavalos e depois iamos deitar na grama, olhando as nuvens e assistindo o ceu escurecer.
Como que contraste, outra lembranca doce era o inverno, quanta emocao sentiamos em assistir aqueles flocos brancos como o mais puro algodao descendo sobre nossas cabecas, tingindo nossos ombros de branco e nossos narizes de vermelho. Nao havia coisa melhor a fazer do que juntar os amigos no mesmo parque da escola em brincamos tanto e iniciar uma guerra de bolas de neve. Voltavamos entao para casa pra tomar chocolate quente e assistir um filme pra cair no sono faltando metade do filme.
E eramos felizes sem ao menos perceber, tinhamos tudo enquanto nao havia nada. Mas o mais importante, eh que viviamos intensamente nossos sonhos.
-Ciro Torres

P.S. Novamente peco desculpa pela falta de acentos. Esse texto foi um que nosso prof. de port. pediu para nos falarmos sobre nossa infancia (narrativa em prosa) e foi isso que saiu. Espero que gostem!

Friday, October 1, 2010

Estilização de Canção do Exílio

No meu lar há palmeiras
onde vivem os sabiás
tão pequenos e frageis
parecem que vao quebrar.

Oh como sinto falta
da minha casa e terra
dos sons dos riachos
e dos pássaros nas serras.

Ponderando só, a noite
nao sinto a satisfação
que me dava em pensar
na puríssima constelação.

Os astros que de la me olham
me veem com reprovação
e nao creditam os meus feitos
como minha propria ação.

Espero que esteja tudo bem
no lugar que eu deixei
que nada de mal o aconteça
até que novamente pisarei.

Por favor me mantenha vivo
pra que de novo eu possa observar
as crianças pequenas brincando
e os sabiás a cantar.

-Ciro Torres