Friday, April 8, 2011

Dez horas

Tiago caminhou silenciosamente até o ponto de ônibus, seu coração acelerado ero o único indicativo de seu cansaço e nervosismo. Não imaginava o que viria a ver. O ponto estava deserto com mais grilos e cigarras cantando do que um jardim no mato. Olhou para a rua, viu o ônibus e deu sinal. O motorista abriu a portacom um olhar que diz o que você faz aqui a essa hora? Tiago subi e o ônibus rodou, levou Tiago ao centro da cidadezinha, onde desceu, tinha importantes negócios a tratar. Olhou o relógio, que dizia dez para as três da manhã. Ele estava adiantado, no mínimo, sete horas. Sentou no banco da praça, colocou a maleta sobre as pernas e aguardou. Lhe faziam companhia somente pernilongos interessados interessados apenas em seu sangue. Ficou com sede, porém não havia loja aberta. Então aguardou. O relógio bateu meia-noite, havia algo errado. Tiago se perguntou se se perdera. Achava que não, apenas cansado. Olhou o relógio que dizia ser dez para as quatro da manhã. Então aguardou. Tiago, inquieto, sentiu uma presença atrás dele. O tremor subiu sua coluna, arriscou olhar para trás. Quase gritou de ansiedade, e viu um cão com o rabo entre as pernas. Perguntou-lhe o que queria e batizou-lhe de Rabonildo, Tiago não tinha criatividade. Rabonildo olha Tiago como se dissesse que estava com fome. Tiago respondeu também sofrer de fome. Rabonildo então deitou e esquentou os pés de Tiago. O relógio dizia dez para as seis da manhã. Tiago então somente esperaria mais quatro horas. Pessoas começaram a passar e fitavam-no com um olhar suspeito. Um guarda perguntou-lhe se estava bem. Tiago não soube responder. Rabonildo, deitado ao seu lado, no banco, perguntou ao guarda onde havia comida para cachorro. O guarda indicou e Rabonildo seguiu seu caminho com um adeus ao Tiago. Tiago viu lojas abrindo e quis comprar algo, porém não tinha dinheiro. Então aguardou. E o relógio avisou dez horas.

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