Friday, March 18, 2011

Indesejo

Não estranho esse cheiro,
É de muito tempo atrás,
Não incomoda o barbeiro,
Pois é ele que jaz.

A luz pérfida que semeia
A rosa cálida da escuridão,
Se mantém já cheia
Da lua na solidão.

Na cidade não ha quem viesse,
Ver o barbeiro ou a rosa,
E enquanto um apodrece
A outra continua chorosa.

E cena mais triste não há
De quem nunca viu
A rosa a chorar
E a solidão senil.

E o tempo todo está lá,
O barbeiro acabado
Sem ninguém perturbar
O seu sonho sagrado.

Mas o cheiro já se vai
O venta o carrega,
E a rosa que não sai
Continua sempre cega.

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