Não, falou para si mesma, não devo olhar. Mas mesmo assim ela olhou, e se arrependeu de ter olhado antes mesmo de ter virado o rosto para trás. Agora já era tarde demais, como um pêndalo que não pode voltar sem ter ido os seus olhos fitaram aquela cena horrorosa por pouco mais que alguns segundos, mas a imagem ficara gravado para sempre em sua mente.
Não podia ser verdade, aquele lugar que ela chegara a amar tanto, destruido com um simples comando. Como os homens são ruins, está na natureza deles, nada podem fazer contra esse ímpeto de praticar o mal, ou será que podem? Ela desejava mais que tudo em sua vida inteira não ter de pensar nisso, mas não havia mais em que pensar. Então ela sentou e fechou os olhos. Abriu os olhos logo em seguida, a imagem a assombrando. Começara a nevar, não deveria haver neve nessa época do ano, ou deveria, ela não saberia dizer nem em que mês estavam.
Ela deitou na rua deserta e deixou os flocos brancos como algodão tingirem seus cabelos e sua roupa de branco. Não havia mais o que fazer, não havia quem a guiasse. Ela fechou os olhos sem ao menos saber que seria pela última vez. Aqui ninguém vai me achar, não é? Ela perguntou para o seu livro, que guardava no bolso esquerdo e que tirara para sentir.
De repente ela ouviu seu pai lhe chamar: Ana! Ana, eu e sua mãe estamos te esperando! Vamos logo Ana!
E longe daquele lugar, ninguém viu a Ana levantar suavemente do chão e seguir a voz de seu pai até chegar naquele corpo étereo para o qual todos nós um dia iremos, deixando para trás os seus medos e seus sonhos.
*-* qse choreiii, lindoo!
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